Trabalhou para Wassef | A TV, advogada diz ter sido amiga e emprestado carro para Queiroz em Atibaia

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A advogada Ana Flávia Rigamonti, que trabalhou no escritório de Frederick Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo, revelou em entrevista ao Jornal Nacional que conviveu com Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) preso na semana passada, e sua mulher, Márcia de Oliveira Aguiar, que está foragida.

Ana Flávia disse ter criado um “vínculo de amizade” com o casal e chegou a emprestar seu carro para Queiroz usar na cidade.

“Acabei conhecendo o Queiroz ali [no escritório de Atibaia] e a gente, querendo ou não, criou um vínculo de amizade, né? Porque às vezes eu estava na casa, às vezes eu não estava. Então eu acabei conhecendo ele e a esposa dele”, contou ela ao JN. “Para onde ele ia, eu não ficava perguntando… Mas acho que emprestei meu carro umas três, quatro vezes, pelo menos.”

A declaração da advogada vem menos de uma semana depois de Wassef negar, também ao JN, que estivesse escondendo Queiroz em sua casa. “Vamos deixar bem claro: Queiroz não é testemunha, não é réu. Ele é um averiguado. E outra coisa: jamais escondi Queiroz, Queiroz não estava escondido”, disse o advogado no último sábado (20).

Além disso, segundo Ana Flávia, Márcia costumava visitar o marido em Atibaia e chegou a passar temporadas na casa de Wassef. “Ela ficava um pouco… ia e voltava”, explicou.

Ela negou, contudo, que tivesse recebido qualquer orientação para vigiar Queiroz e Márcia. “Eu não recebi nenhuma orientação a respeito de… como se eu estivesse trabalhando como uma vigia dele. Essa não era minha função ali, não”, afirmou a advogada ao JN.

Ana Flávia trabalhou para Wassef por sete meses, de maio a dezembro de 2019, tendo deixado o emprego por “motivos pessoais”. Segundo ela, Queiroz chegou à casa de Atibaia depois que a advogada já havia começado a trabalhar no escritório.

Questionada se ela, Queiroz e Márcia tinham o hábito de chamar Wassef de “Anjo”, ela primeiro negou, afirmando que “sempre chamou o doutor Fred de doutor Fred”. Quando o JN voltou a perguntar sobre o apelido, Ana Flávia recuou, dizendo preferir não responder.

‘Questão humanitária’

Em recente declaração veiculada pelo SBT Brasil, Frederick Wassef alegou “questões humanitárias” para hospedar Fabrício Queiroz em Atibaia. No dia anterior, o advogado anunciou ter deixado a defesa de Flávio Bolsonaro, investigado por supostos esquemas de “rachadinha” durante sua passagem pela Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

“O que eu tenho para dizer é o seguinte: jamais escondi Fabrício Queiroz. Ele estar lá [no imóvel de Atibaia] não é nenhum crime, nenhum ilícito, não é obstrução de justiça. Não há nenhuma irregularidade”, disse Wassef.

“[Foi] também uma questão humanitária. Porque [é] uma pessoa que está abandonada, uma pessoa sem recursos financeiros, com problemas de saúde”, completou.

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